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Anime é coisa de Criança? Não, Claro que não!

*Post originalmente publicado no meu extinto blog Life Theory, em 13 de setembro de 2009 e PlayRoom em outubro de 2011.

 

Quem me conhece sabe que eu sou fã de anime (desenhos animados made in Japan, pra quem não conhece o termo). Sabe que já ajudei a coordenar uma série de eventos relacionados à área e que, se tem algo que me tira do sério, é quando alguém acha que anime é coisa de criança e tenta me menosprezar por isso.

Acontece que ontem recebi um email de alguém que leu os posts relacionados a anime nos arquivos e me criticou por gostar “de programas rasos, e que denotam típico comportamento infantil”.  E o cidadão, que identificou-se apenas como “Rafael“, continuou ainda dizendo que “anime é coisa de criança, uma subprodução rasa e infantil, que nada tem de artístico”. Meu sangue ferveu.

Cada vez que alguém me diz assim, eu começo a pregação. Eu discordo totalmente dessa afirmação feita pelo Rafael e digo mais: este tipo de atitude demonstra uma clara ignorância e preconceito sobre animação, seja japonesa, seja de que nacionalidade for. Porquê? Passarei a explicar e demonstrar a seguir, usando comparações meio esdrúxulas para alguns, mas que tenho certeza que permitirão até quem nunca assistiu entender e, quem sabe, topar assistir antes de emitir opinião sobre quem curte animações japonesas.

Todos nós assistimos filmes, certo? A grande maioria deles produzidos por Hollywood, outros produzidos por diversos países, sejam voltados apenas ao entretenimento sem compromisso, seja voltado ao público que prefere algo mais artístico. Temos filmes de vários gêneros: cults, intelectualóides, de ficção científica, de horror, de comédia, romance, drama. Também temos filmes voltados a diversos públicos: adultos, adolescentes, crianças, pra toda família, para tarados (filmes pornôs).

Assim é a produção de animes no Japão. Há desenhos para diferentes tipos de público: adultos trabalhadores assalariados, mulheres independentes, donas de casa, jovens adultos, adolescentes, crianças, e até para pessoas idosas. E, assim como nos filmes, há animes produzidos de vários gêneros: horror, mistério, policial, ficção científica, comédia, romance, non-sense, drama, cotidiano. Há atores envolvidos nisso, mas, ao contrário dos filmes, eles não aparecem, apenas emprestam suas vozes aos personagens, que são retratados através de desenho. Simples assim, mas nem por isso menos digno de admiração e de menos qualidade.

A produção é imensa e, embora muito do que chegue aqui no ocidente, nas nossas tevês, seja voltado ao público infantil ou adolescente, e muitas vezes mutilado ou adaptado pra um certo horário, pra uma certa faixa etária, há títulos excelentes, alguns mais rasos, outros mais profundos.

Eu gosto de dizer que mesmo quem não pretende virar “otaku”, ou “anime nerd”, vai descobrir um dia um título que vai gostar e talvez recomendar pra outros, independente de gênero ou idade. Se você nunca viu e tem preconceito, ou baseia sua opinião apenas no que viu na Globo, por exemplo, é porque ainda não achou o título certo pra você, mas ele existe, e antes de sair por aí julgando quem gosta e taxando de infantil e menosprezando, procure se informar melhor.

Pra exemplificar, trouxe um anime curto, de 10 minutos, que prova que uma boa história, uma boa escolha de atores para dar voz aos personagens, uma boa trilha sonora, podem produzir algo encantador para adultos: Comedy — Kigeki.

O anime está legendado em inglês, mas vale a pena assistir. Eu tenho esse vídeo num dvd há alguns anos e encontrei ele no youtube. A trilha sonora é “Ave Maria”, de Franz Schubert (sim, música clássica) e foi produzido pelo Estúdio 4°C, que já produziu a versão animada de várias pérolas, alguns num estilo meio Superflat (que é arte, pasmem!), incluindo Tekkon Kinkreet (Preto e Branco, quadrinhos já lançados no Brasil) e alguns episódios de Animatrix. Visitem o site do estúdio e aproveitem pra procurar por alguns dos títulos produzidos pelo estúdio: animação de qualidade, em sua maioria para adultos.

O tema da história? Durante a guerra da independência da Irlanda, uma menina de 5 anos decide embarcar numa jornada a fim de salvar seu vilarejo, indo em busca do famoso “Cavaleiro Negro” que vive em um castelo na floresta próxima. Também há referência à época da inquisição, aos livros queimados. A história é narrada do ponto de vista da garota, já adulta, lembrando o que ocorreu naquela época de sua infância. Porque uma boa história pode ser contada em apenas 10 minutos!

Depois de assistir isso, Sr. Rafael, e todos aqueles que nunca experimentaram ver uma anime na vida, sinta-se à vontade para comentar debatendo sobre animes não serem arte, nem serem feitos pra adulto, serem todos entretenimento barato e raso. Pra quem nunca viu anime, mas topou perder 10 minutos de sua vida assistindo a esse vídeo, e quiser comentar e dar sua opinião sobre o tema, também fica o convite. E se desejar indicações, peçam-me. Uma hora dessas farei um post indicando bons animes pra quem tem preconceito porque acha que desenho animado é coisa de criança, ou a mente aberta o suficiente pra se aventurar por este mundo.

 


2 Comentários

  • Responder Fabio Salvador |

    Vivs, nem te esquenta a cabeça com essas besteiras de “anime é para crianças”. na verdade, existem animes e mangás com temas tão adultos e pesados que fariam figurinhas como esse tal “Rafael” chamarem a mamãe.

    Quando alguém te criticar, por fazer alguma coisa que tu gostas, por agir esquisito, por ter uma opinião que não é a da maioria, faça como eu: olhe no fundo dos olhos da tua própria alma, aquela que fica perguntando “será que eu não deveria mesmo sentir vergonha de ser tão infantil/esquisita/nerd?” e diga, com toda convicção:

    – Vem cá, esse cara paga minhas contas? Não, né? Então, que vá opinar sobre a vida das nêga dele!

    E era isso.

    Eu sou o rei de fazer isso. Inclusive em público. Outro dia, no Maxxi, minha filha queria brincar com o carrinho de compras. Eu botei ela dentro, e saí andando rápido (minha mulher estava fazendo compras, eu só vou lá para pagar mesmo). Um casal de parentes dela ficou olhando com cara de bunda, minha mulher ficou toda preocupada, tipo “parem de brincar, as pessoas estão olhando”. Eu fui até o casal, eles fizeram ainda mais cara de desaprovação, e eu perguntei, na lata: “vocês aceitam rachar ao meio as minhas contas lá de casa? luz, comida, tudo?” Eles ficaram meio assustados. Daí eu completei minha teoria: “então, vão cuidar da vida de vocês. eu pago minhas contas, posso ser tão infantil quanto eu quiser”.

    Lá em casa tem dois quadros na parede da sala (além daqueles com retratos da nossa filha, e paisagens), e esses dois quadros têm, em um, uma tela do jogo Enduro. O outro, a do Super Mario do Nintendo 8 bits. Minha mulher diz que as visitas vão pensar que sou maluco com aqueles dois quadros… e aí meu argumento é o mesmo: eu comprei a casa, não ganhei de amigo nenhum. Portanto, minha casa, minha parede, meus quadros. os outros que vão opinar lá na casa da mamãezinha deles.

    Opa… me perdi do assunto central…

    Desculpa.

    Voltando. Continua assim o blog. Não muda nada, nem muda teus gostos só porque existe uma manada que segue um mesmo caminho intelectual/artístico/cultural/ de entretenimento, e acha que qualquer rota desviante é coisa de maluco.

  • Responder Rafael |

    Eu nunca disse isso. Mas só vejo os modinhas mesmo (Naruto, One Piece e Fairy Tail). HUAHUAHUAHUHUAHUA ZUEIRA! Abrazz!

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